Uma Verdade Inconveniente Sobre o Coworking e as Empresas

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Bom, era a primeira vez que eu iria trabalhar em um Coworking, imaginei que seria incrível e estava aberto a conhecer pessoas e realizar colaborações.

Experimentei por mais de 6 meses um dos mais fabulosos Coworking do mundo. Mas pude perceber que a maioria das pessoas se esqueceram de deixar as antiquadas práticas dos escritórios e corporações.

Aquela velha postura de se isolar no seu próprio espaço e conhecimento da atividade profissional.

Me lembro que fiquei entusiasmado ao entrar no local do Coworking: o design e a arquitetura intimista, moderna.

A área comum com cozinha, mesas e um balcão americano estiloso.

A sala enorme com cadeiras e sofás confortáveis.

O som ambiente de uma música moderna, um estilo Spotly, se você quiser escutar clique no link, música sempre faz bem. Isso não é divulgação estou compartilhando o que gosto.

Neste Coworking havia uma rede social, estilo Facebook, assim que tive acesso, fiz diversos contatos, seguia pessoas de referência e alcancei inúmeros seguidores. Postava conteúdos voltados para produção de textos web e notícias sobre e-commerce.

No começo, eu passava pelas pessoas e dava bom dia, já que estamos no mesmo ambiente, eu achei que seria o mais educado, mas quase ninguém era recíproco.

Após alguns dias, desanimei e quando percebi, não dava bom dia para ninguém nas áreas comuns e corredores.

As pessoas passavam apressadas por mim, abriam as portas dos corredores de acesso e as deixavam fechar mesmo vendo que eu iria passar por ela. Não obtive em 7 meses a chance de criar nenhuma conversa com alguém, que não fosse da empresa na qual eu me aperfeiçoava profissionalmente e curtia estar também.

Tive algumas reuniões com pessoas que se interessaram pelo meu trabalho, mas isso explico mais abaixo, pois fiquei estarrecido com ocorrido.

Durante o almoço havia algumas mesas de 4 a 3 lugares dispostos entre a cozinha e a ampla sala e várias pessoas deixavam sua marmita na geladeira comunitária.

Eu também, assim guardava o meu VR para a cerveja do fim de semana.

O que acontecia? As pessoas ficavam em pé, esperando que o outro saísse da mesa para poder sentar, ou se dirigiam para outros andares do mesmo Coworking.

As pessoas nas mesas quando percebiam que estavam sendo olhadas, permaneciam em seu mundo ignorando o restante, como se fosse um direito dela estar ali e apenas ela.

Eu mesmo tentei me aproximar de uma moça que estava sentada, ele me olhou rapidamente e virou o rosto. Se ela tivesse oferecido lugar em sentaria e foi o que tentei fazer uma vez e sabe o que o rapaz de fone grande e tatuagens de pinheiros no braço me disse.

-Fica em paz, eu espero você sair.

Eu não saberia dizer isso tem a ver com a cultura corporativa exclusivamente ou se neste Coworking a sensação de comunidade não era um forte motivador, que impulsiona-se as pessoas a aproximação.

Acredito que a mudança para uma Coworking é algo que precisa de educação, ou seja, de instrução em agir como uma comunidade.

Contudo era assim, mesas com 4 cadeiras e apenas uma pessoa almoçando nela, enquanto outros em pé esperando que ela saísse para poder almoçar sozinha também, ocupando uma mesa inteira.

Parece que repetimos os mesmo processos de desigualdade do nosso país em atitudes aparentemente pequenas.

Outro fator estranho. Havia um microondas enorme, feito para colocar várias marmitas de uma só vez. Agora adivinha?

Todo mundo colocava a sua para esquentar ou invés de oferecer o espaço para mais duas ou três, assim filas enormes se formavam para esquentar as marmitas solteiras e antissociais.

Havia pouca colaboração entre pessoas e o desejo de interagir era pouco ou real. Mas o pior estava por vir. Uma vez fui conversar com o pessoal de uma startup que se interessou pelo meu trabalho de redator (troca de conhecimento).

Nos encontramos na área comum do Coworking, um lugar grande com café e cerveja. Sabe o que aconteceu?

Minha atitude foi tida como suspeita pelo meu ex-empregador. Sério? Fiquei espantado ao saber disso, eu já havia percebi que ninguém conversava com outras pessoas que não fossem da mesma empresa, mas isso foi bem constrangedor.

Realizei reuniões às escondidas, como se fosse um crime fazer network, trocar experiências.

Eu conversei com pessoas que queriam conselhos sobre a área de redator, empresas que queriam saber da importância do conteúdo e também propostas de emprego.

Se eu pudesse dar um conselho as empresas de Coworking seria:
Reeducar as pessoas e as empresas sobre esse ambiente colaborativo e mais sociável, de uma forma mais recorrente e incisiva.

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